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quarta-feira, 18 de abril de 2012

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Outubro (Oktyabr) – 1927

Mais um épico do Diretor Eisenstein, que conta outro episódio de batalha Russa. Dessa vez, Eisenstein realiza um filme contando a história da batalha Bolcheviche, que passou da derrocada do Governo provisório para as primeiras vitórias de Lênin, e daqueles que o seguiam.
 Mais uma vez, Eisenstein mostra que é o gênio da montagem e edição, e trabalha muito bem com um grande número de pessoas; senti, entretanto, que esse filme foi bem mais arrastado do que os demais produzidos por ele, e que se não fosse por duas cenas, mais o advento do som introduzido por seu colega Grigori Alexsandrov, o filme teria sido impossível de ser assistido. Cenas como um cavalo morto e a estátua do czar sendo destruída estão as que merecem destaque, mas metade do filme é comprometido por uma história que talvez só quem viveu a revolução ou teve algum contato com ela, ou ainda, tenha estudado, pôde compreender. Talvez a intenção do diretor era que o espectador tirasse suas próprias conclusões, mas, para dizer a verdade, não consegui concluir muita coisa.

Logo que vi o terceiro filme de Eisenstein na lista, percebi que seria mais um desafio, e a cada novo filme, uma estrela cai, e nesse não será diferente. Darei duas estrelas pela técnica impecável, mas, particularmente, senti que faltou alma ao filme. Eisenstein foi convidado para fazer este filme que seria para a comemoração do 10º aniversário da vitória bolcheviche. E, como o próprio crítico menciona no livro: “Como ferramenta didática, uma maneira de "explicar" a revolução para as massas do país e do exterior, o filme é simplesmente ineficaz. Para muitos espectadores, suportar a projeção é um verdadeiro suplício.” Precisei mencionar essa frase, pois, realmente, o foi para mim, que até dormi no meio da projeção (vou ser xingada por isso haha).

O filme tinha muito potencial, mas senti que foi desperdiçado. Também gostaria de ver Eisenstein produzindo outros tipos de filme, pois acho que ele teria êxito, visto que, muitas vezes no filme, há uma mescla entre a arte e a guerra, como esculturas, uma harpa em um vitral e os belos adornos dos prédios.
 


URSS (Sovkino)/ Mudo P&B/ 95 min.
Direção: Crigori Aleksandrov, Sergei M. Eisenstein
Roteiro: Grigori Aleksandrov, Sergei M. Eisenstein
Fotografia: Vladimir Nilsen, Vladimir Popov, Eduard Tisse
Música: Alfredo Antonini, Edmund Meisel

Elenco:

Vladimir Popov
Vasili Nikandrov
Layaschenko
Chibisov
Boris Livanov
Mikholyev
N. Podvoisky
Smelsky         
Eduard Tisse

sexta-feira, 16 de março de 2012

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A General (The General) - 1927

Buster Keaton nunca decepciona. Apesar de suas comédias leves e curtas, ele consegue cativar qualquer espectador com seu jeito atrapalhado e com suas histórias com um tom cômico e sério, ao mesmo tempo. Nesta, vemos Keaton com um cabelo mais comprido, engenheiro de um trem de 1861, época da Guerra Civil dos Estados Unidos, do Sul contra o Norte. Johnnie Gray (Keaton) é o primeiro a tentar se alistar, por conta de sua namorada Anabelle Lee (Marion Mack), cujo pai e irmão também iriam para a Guerra e é questão de honra fazê-lo. Porém, ele não é convocado, e fica extremamente decepcionado, já que seu namoro dependia disso. É desse ponto que surge a história principal, recheada de ação e humor: o roubo da Locomotiva de Johnnie, “ A General”.

Há várias cenas engraçadas que vale a pena ressaltar, como o modo com que ele vai tirando e colocando armadilhas nos trilhos e o trabalho corporal exigido, o qual o ator nunca mede esforços, seja cortando lenha, seja indo de um ponto a outro da máquina, para usar tudo a seu favor. O final é previsível, mas isso não compromete de maneira alguma a trama, que tem muito movimento e raramente fica cansativa. A partir do terceiro filme visto, já vemos uma preferência no modo de filmagem e até mesmo de certas cenas; nesse filme, entretanto, apesar de começar como os outros, acaba se transformando, pois encontramos uma grande movimentação, não como Sete Oportunidades ou Sherlock Jr, mas além, com uma câmera frenética captando cada trilho andado, cada expectativa do personagem, cada perseguição. A música é muito bem empregada, dando mais vida às fugas, mas ela acaba se repetindo diversas vezes, algo bem perceptível. A câmera é bem diversificada, tanto em movimento quanto parada, mas sem perder o ritmo do filme. Não sei como Charles Chaplin pode ser endeusado e Buster Keaton não. Acho os dois geniais.

Super recomendado, para ser visto em um domingo à tarde, para aqueles que quiserem fugir dos programas dominicais massacrantes ou de um filme que já tenha passado 800 vezes na TV. Mas, ele ainda é preto e branco e mudo, então talvez algumas pessoas possam vir a ter preconceito, como um dia eu já tive. Estas perderão um filme muito gostoso de assistir, diga-se de passagem. Vale a pena ver antes de morrer!

4 Estrelas ! Apenas não darei 5 porque Sherlock Jr. ainda é meu preferido, até por ter sido o filme em que conheci o grande trabalho de Keaton!



EUA/Mudo P&B (Sepiatone)/75 min
Direção: Clyde Bruckman, Buster Keaton
Produção: Buster Keaton, Joseph M. Schenck
Roteiro: Al Boasberg, Clyde Bruckman
Fotografia: Bert Haines, Devereaux Jennings
Música: Robert Israel, William P. Perry

Elenco:

Marion Mack
Charles Smith
Richard Allen
Glen Cavender
Jim Farley
Frederick Vroom
Joe Keaton
Mike Donlin
Tom Nawn
Buster Keaton


sexta-feira, 2 de março de 2012

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Aurora (Sunrise) – 1927

O primeiro filme americano com liberdade orçamental do gênio do expressionismo alemão e, em minha opinião, o mais singelo e bonito trabalho de F. W. Murnau. Aurora conta a história de um fazendeiro que trai sua mulher com a moça da cidade, e pretende matá-la afogada de forma acidental, para poder vender a sua propriedade e fugir com a moça que o seduziu.

Mais do que tudo, não é à toa que este filme recebeu o prêmio de “Produção Artística Notável”. Ele é dotado de tantos detalhes que não posso deixar de enumerá-los: a montagem que Murnau sempre faz de forma magistral, a sutileza dos efeitos sonoros junto com a melodia, os cenários e as emoções dos atores; tudo combina para este filme ser muito mais do que um filme de amor. Janet Gaynor, como a esposa, fez um papel magnífico, fazendo o espectador rir e chorar. Também George O’Brien como um fazendeiro bruto, mas cheio de sentimentos, que vão desde a loucura até o arrependimento e posteriormente a reconquista do amor outrora perdido.

A meu ver, a película nos mostra como um casamento pode perder todo o brilho com o dia-a-dia. O casal é mostrado cansado, o homem desinteressado, com uma rotina que só é quebrada com a interrupção da moça da cidade. Interpretada por Margaret Livingston, esta, também, fez um grande trabalho. Em uma de suas cenas, inclusive, ela aparece como um espectro que assombra o fazendeiro, seduzindo-o até quando não está por perto. Quando o casal percebe que ainda pode se divertir junto, brincar e se apaixonar novamente, é daí que surge o brilho do filme, que nos deixa com um sorriso no rosto até o final.

Infelizmente, ele foi um fracasso de bilheteria na época e Murnau acabou morrendo em um acidente de carro poucos anos depois. Porém, seu filme marcou não só a geração do cinema mudo, como também diversas obras da geração subseqüente. Ainda, faço uma observação em relação a Janet Gaynor, com seus cabelos soltos no fim, mais linda do que nunca. Ela me lembrou um pouco das expressões da Drew Barymore!

Com certeza, 5 estrelas!  

EUA/ Mudo P&B/ 97 min.
Direção: F. W. Murnau
Produção: William Fox
Roteiro: Hermann Sudermann, Carl Mayer
Fotografia: Charles Rosher, Karl Struss 
Música: Timothy Brock, Hugo Rlesenfeld

Elenco: 

George O'Brien
Janet Caynor
Margarett Livingston
Bodil Rosing
J. Farrell MacDonald
Ralph Sipperly
Jane Winton
Arthur Housman,
Eddie Boland
Barry Norton

Oscar: William Fox (produção artística e notável), Janet Gaynor (atriz),  Charles Rosher e Karl Struss
(fotografia);
Indicação ao Oscar: Rochus Cilese (Direção de arte)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

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 Metropolis – 1927

Considerado o primeiro filme épico de ficção científica, Metropolis tem um quê de simplicidade com uma arrebatadora fotografia e cenários enormes, onde Fritz Lang faz um trabalho magistral fazendo um belo uso de inúmeros figurantes e efeitos especiais, inacreditáveis para 1927.

A história se passa em Metropolis no ano de 2026, cidade futurista criada pelo Mestre Joh Fredersen (Alfred Abel), porém o foco da trama é em seu filho Freder (Gustav Fröhlich), uma pessoa alienada do que acontece na cidade, e bastante mimada. Conhecendo Maria (Briggite Helm) e a comunidade dos operários, Freder tenta ser o mediador entre os operários e o mestre, para fazer com que eles trabalhem em harmonia (com a célebre frase do filme: “O mediador entre cabeça e mãos deve ser o coração”). A partir daí, temos desde uma andróide feminina construída por Rowang (Rudolf Klein-Rogge) , o inventor que mora em uma casa antiga, até arranha-céus e maquinários incríveis.

Brigitte Helm está espetacular como a angelical Maria e a demoníaca Andróide, inclusive com uma dança erótica semi-nua em meio a vários olhos masculinos, numa montagem também digna de destaque. Todos fazem um excelente trabalho nessa película, porém o menos convincente é Gustav Fröhlich, que é demasiadamente teatral. O cientista interpretado por Klein-Rogge também convence, protagonizando algumas cenas importantes do filme. Ênfase, também, para a cena da inundação da cidade dos operários, a dança dos mesmos em torno da máquina destruída e a corrida atrás de Maria, e posterior fogueira feita para ela.

Para os dias de hoje, esse filme é um marco alemão, mas para a época, foi um fracasso tão grande de bilheteria que quase levou o estúdio à falência. Em particular, achei-o interessante, mas com um roteiro que poderia ser mais bem trabalhado. Uma pena que tenha sido prejudicado com a perda total de algumas partes, que foram transformadas em textos explicativos durante o filme.

3 estrelas

Alemanha/ Mudo P&B/ 120 min.
Direção: Fritz Lang
Produção: Erich Pommer
Roteiro: Fritz Lang, Thea von Harbou
Fotografia: Karl Freund, Günther Rittau
Música: Gottfried Huppertz

Elenco:
Alfred Abel
Gustav Fröhlich
Brigitte Helm
Rudolf Klein-Rogge
Fritz Rasp
Theodor Loos
Heinrich George