Em Busca do Ouro (The Gold Rush) – 1925
Finalmente chegamos a um denominador comum entre todos. Qualquer cinéfilo que se preze sabe quem foi Charles Chaplin e conhece sua obra mais famosa, ou de maior repercussão, que é “Tempos Modernos” (mesmo que não tenha visto, de fato). Todavia, nem todos conhecem os outros trabalhos desse grande ator e cineasta, que apesar de uma vida conturbada, fazia do seu trabalho uma verdadeira obra de arte.
Começando com o primeiro das 4
aparições dele no livro, Em Busca do Ouro faz alusão à vida dos garimpeiros de
Klondike, Alasca, na corrida do ouro de 1896-1898, que muitas vezes perdiam
suas vidas justamente por causa do título do filme. Charles Chaplin faz um
excelente trabalho aqui, como um dos garimpeiros que enfrentam nevascas e fome,
além de possíveis ursos que podiam aparecer. Nesse cenário inóspito e árido,
Chaplin utiliza um humor leve e suave, e mostra que esses dois elementos
antagônicos podem andar em harmonia. Há várias cenas antológicas que faz desse
filme um dos queridinhos de sua carreira, como a dança dos garfos e pães e a
cena da casa no penhasco, onde vemos uma montagem impressionante por parte de
Chaplin, que era exigente (isso pode ser visto na própria atuação dele). E deu
tão certo que não sabemos distinguir quando é maquete e quando é um tamanho
real, tamanho perfeccionismo.
Além dessas cenas, temos a da
galinha, onde Big Jim delira de fome e vê em Chaplin uma comida em potencial.
Através dessa cena, é possível perceber a montagem fantástica para 1925, e
claro, a perfeita representação de galináceo por parte de Chaplin. Há, também,
a cena inicial, onde 600 figurantes aparecem enfileirados para fazer os
garimpeiros; Chaplin, porém, não é o único que sustenta o filme, apesar de ser
o principal a fazê-lo. Temos uma atuação ótima de Geogia Hale, que foi substituta
de Lita Grey, quando esta aos 16 anos ficou grávida e casou com Chaplin, e
principalmente de Mack Swain, interpretando Big Jim.
É um filme muito gostoso de
assistir, e Chaplin declarou diversas vezes ao longo da vida que queria ser
lembrado por essa obra. Vale a pena dar uma conferida, ainda mais a restauração
de 1940, que é toda narrada e deu ao filme uma melhor compreensão e um ritmo mais constante.
4 estrelas.
EUA/
Mudo P&B/ 72 min.
Direção:
Charles Chaplin
Produção:
Charles Chaplin
Roteiro:
Charles Chaplin
Fotografia:
Roland Totheroh
Música:
Max Terr (versão de 1942)
Elenco:
Charles Chaplin
Mack Swaln
Tom Murray
Henry Bergman
Malcom Waite
Georgia Hale






