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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

8

Inocente Pecadora (Way Down East) – 1920

O que dizer? É simplesmente mais uma grande obra desse gênio chamado Griffith, um diretor além do seu tempo. Um ano depois do grande “Lírio Partido”, Griffith retoma sua fórmula com o casal de protagonistas Lillian Gish e Richard Barthelmess, com a mesma química arrebatadora. Para a época, é uma história bem polêmica, sobre uma mulher que é enganada por um falso casamento e fica grávida, solteira. Porém, digo que é um tema bem atual, que poderia muito bem ter um remake (apesar de achar que remakes normalmente estragam as obras).

A atuação de Richard é mais convincente nesse longa, por não precisar fazer um papel de outra etnia. E devo dizer que ele está no auge de sua beleza, também haha. Lillian Gish dispensa comentários, pois sempre realiza um espetáculo de atuação atrás do outro. Destaques para o clímax final, onde há uma grande tensão (já que de Griffith pode-se esperar de tudo), com uma montagem genial e cenas de perspectiva e de longe, ponto forte do diretor; e para a dança, na segunda parte do filme. Destaque também para o figurino, principalmente no início, onde de cara, Anna Moore (Gish), após chegar na casa dos primos e se trocar para a festa da sociedade, aparece com um vestido estonteante elaborado pela Tia. Numa versão meio Cinderela, a Tia o faz para causar ciúmes em duas irmãs, primas de Anna. Gish me lembrou o jeito de Julie Andrews em Noviça Rebelde, logo na chegada da casa, antes da troca.

Uma boa atuação também ficou por conta do personagem Sanderson (Lowell Sherman), um perfeito canastrão mulherengo. Para quem gosta de romance e melodrama, é uma boa pedida. Claro que há toda a questão da imagem ruim, da falta de diálogos e da extensão do filme, mas as duas partes de Way Down East dispensam esses fatores e os tornam secundários. É mais uma obra prima desse diretor, do qual me tornei fã, nessa trajetória do livro.



Comentário à parte: Achei ousado o final, para a época, onde aparece um homem dando selinho em outro, e as mulheres também (mas nada que chegue aos pés da quase nudez de “Intolerância”).
Comentário à parte 2: Não gosto do jeito como R. Barton Palmer, um dos colaboradores do livro, escreve. Ele simplesmente conta toda a história na página, fazendo pouquíssimos comentários.
5 estrelas para ele, apesar de não ser tão fã de romances.

EUA / Mudo P&B / 100min (pelo livro. Nos meus cálculos, dá mais ou menos 150 min)
Direção: D. W. Griffith
Produção: D.W. Griffith 
Roteiro: Anthony Paul Kelly, Joseph R. Grismer, D. W Griffith, baseado nas peças Way Down East, de Joseph Grismer e William A. Brady, e Annie Laurie, de Lottie Blair Parker.
Fotografia: G.W. Bitzer
Música: Louis Silvers     

Elenco

Lillian Gish ...
Anna Moore
Richard Barthelmess ... David Bartlett
Lowell Sherman ... Lennox Sanderson
Burr McIntosh
Kate Bruce
Mary Hay 
Creighton Hale
Emily Fitzroy  
Porter Strong
George Neville
Edgar Nelson
Norma Shearer 



DOWNLOAD (Torrent + Legenda)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

7

Lírio Partido (Broken Blossoms ou  The Yellow Man and the Girl) – 1919

É incrível como um diretor pode ir de extremo a extremo sem perder a beleza e a elegância em suas habilidades para tal feito (mesmo com um baixo orçamento e com um resquício de fama racista). Baseado no livro Limehouse Nights, de Thomas Burke, Lírio Partido me surpreendeu por ser um dos primeiros filmes mudos que vi até agora que não precisou da fala, de fato. Tudo acontece em um lirismo tão exuberante que a imagem se torna a única coisa que importa no filme, e as expressões dos personagens prendem o espectador até o fim. Lillian Gish, que disparada, é o grande destaque desse filme, mostra que não é à toa que tem uma parceria tão frutífera com D.W Griffith. Achava que a parceria mais harmoniosa que já existiu no cinema era a de Tim Burton e Johnny Depp, mas agora tenho minhas dúvidas quanto a isso (e sou suspeita pra falar, pois Scorcese e De Niro também fazem uma grande parceria).
Seja em Nascimento de uma nação, seja em Lírio Partido, Griffith e Lillian completam seus filmes me modo singular. Mas não é só ela que merece todos os créditos. Donald Crisp como o pai violento e alcoólatra, fez um excelente papel, além de, claro, Richard Barthelmess, como o Chinês viciado em ópio, que conserva um amor puro e sagrado pela protagonista. Os únicos contras são que Richard não era de fato chinês, então algumas partes ficaram um pouco falsas (ele parecia sempre mais com sono do que chapado), e sobre uma pitada de racismo, muito sutil.
Filmes como esse devem ser apreciados como poesia pura, e como uma verdadeira obra de arte. O cenário, lúgubre e com um glamour estonteante, juntamente com a música e todos os elementos que compuseram o filme, fez com que uma história simples se tornasse absurdamente fantástica. Mais um filme de Griffith, que, para mim, é a obra mais bela de sua carreira. Estou me surpreendendo positivamente com esse livro, por achar grandes preciosidades como essa.

Apesar dos contras, 5 estrelas, sem dúvida!

EUA / Mudo P&B (colorizado)/ 90 min
Direção: D.W. Griffith
Produção: D.W. Griffith
Roteiro: Thomas Burke, D.W. Griffith
Fotografia: G.W. Bitzer
Música: D.W Griffith

Elenco

Lillian Gish - Lucy Burrows 
Richard Barthelmess - Cheng Huan 
Donald Crisp - Battling Burrows
Arthur Howard
Edward Peil Sr. 
George Beranger
Norman Selby

sábado, 15 de janeiro de 2011

3

O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation) -1915

Dando um salto no tempo, vamos para 1915, ano do nascimento de umas das obras-primas mais controversas já feitas por Griffith, presença em peso no livro. Não se prendendo às críticas e ao conteúdo do filme (baseado na peça explicitamente racista de Thomas Dixon “The Clansman: An Historical Romance of Ku Klux Klan”), Griffith montou, numa magistral película, uma verdadeira obra de arte. A fotografia do filme é linda, e cenas como as do campo de batalha ou mesmo a do negro Gus perseguindo uma das filhas da família Cameron merecem uma atenção especial. A sequência de cenas, sejam elas paradas (como os closes dramáticos), sejam em movimento (filmagem da corrida dos cavalos), precisa ser eternizada. Destaque para a trilha sonora orquestrada de gosto impecável, que deixa um ar de tensão nas horas certas.
O filme, na primeira parte, conta a história de duas famílias, os Cameron da Carolina do Sul, e o Stoneman, da Carolina do Norte, prestes a estourar a Guerra da Secessão (EUA, 1861 a 1865). Na segunda parte, vemos as conseqüências da guerra nessas famílias, nos seus respectivos estados (principalmente no sul, claro), e o nascimento do KKK (Ku Klux Klan).
Ver filmes como esse é um desafio, pois foi feito em uma época passada, para um público com outro tipo de pensamento. É certo que este filme é considerado um dos mais reverenciados por suas técnicas inovadoras, mas também repudiado pela história, onde vemos negros sendo interpretados como pessoas baderneiras, mal-educadas e incontroláveis; só não acho, entretanto, que devamos julgar o trabalho magnífico que esse diretor executou.
Os únicos contras do filme são justamente os que direi em todos os filmes mudos: a falta de diálogo direto, que faz muitas vezes o filme parar. Fora isso, é uma grande obra, mas que deve ser assistido por alguém que realmente se interessa pelo início dos grandes efeitos visuais do cinema através dos anos e claro, alguém que não se importe com o racismo descarado da obra.
Darei 4 estrelas para ele também! haha
EUA/Mudo P&B/190min
Direção: D.W. Grifffth
Produção: D. W Griffith

Roteiro: Frank E. Woods, D.W Griffith, baseado nos livros The Clansman: An Historical Romance of Ku Klux Klan e The Leopard’s Spots, e na peça The Clansman, de Thomas F. Dixon Jr.
Fotografia: G.W. Bitzer
Música: Joseph Carl Breil, D.W Griffith

Elenco

Lillian Gish
Mae Marsh

Henry B. Walthall
Miriam Cooper
Mary Alden
Ralph Lewis
George Siegmann
Walter Long
Robert Harron
Wallace Reid
Joseph Henabery
Elmer Clifton
Josephine Crowell
Spottiswoode Aitken
George Beranger